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terça-feira, 19 de abril de 2011

VER-SUS/Brasil

Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde

Caracterização

O VER-SUS/Brasil é um projeto desenvolvido pelo Ministério da Sáude em conjunto com as entidades estudantis dos cursos da área da saúde e as secretarias municipais de saúde, com o objetivo de oferecer a estudantes universitários vivências e estágios no Sistema Único de Saúde com duração de 15 a 20 dias.

A missão é promover a integração dos futuros profissionais à realidade da organização dos serviços, levando-se em consideração os aspectos de gestão do sistema, as estratégias de atenção, o controle social e os processos de educação na saúde. Orientado pela abertura do sistema de saúde como espaço de ensino e aprendizagem para os estudantes da área da saúde, o VER-SUS/Brasil pretende tornar presente para os estudantes as ações de condução do sistema de saúde.

Outra dimensão contemplada nesse Projeto diz respeito à histórica dificuldade das diferentes profissões da saúde trabalharem de forma integrada. A cultura de fragmentação do setor ainda é uma realidade na qual a falta do hábito de convivência multiprofissional é uma de suas causas. Nesse sentido, o VER-SUS/Brasil oportuniza o convívio, a discussão da organização do sistema de saúde brasileiro e a aprendizagem crítica aos estudantes de diferentes cursos da área da Saúde e áreas afins.

Objetivos

Esses estágios, respeitando as diretrizes nacionais, apresentam programações diversificadas, respeitando as características locais e regionais; e têm o objetivo geral de oferecer aos estudantes a oportunidade de conhecer e refletir sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, visa:

valorizar e potencializar o compromisso ético-político dos participantes do espaço de vivência no processo da Reforma Sanitária;
provocar reflexões acerca do papel do estudante enquanto agente transformador da realidade social;
contribuir para a construção da consciência acerca da saúde em seu conceito ampliado;
sensibilizar gestores, trabalhadores e formadores do sistema de saúde, estimulando as discussões e as práticas de educação permanente, reafirmando o SUS em suas ações;
contribuir para o amadurecimento da prática interdisciplinar e multiprofissional, para a articulação interinstitucional e intersetorial e para a integração ensino-serviço no campo da saúde;
contribuir para o debate sobre o projeto político-pedagógico da graduação e sobre a implementação das diretrizes curriculares da saúde, de forma que contemplem as reais necessidades do SUS e da população brasileira;
estimular a inserção dos estudantes no Movimento Estudantil e em outros Movimentos Sociais.

Público Alvo

O Projeto VER-SUS/Brasil destina-se aos estudantes universitários brasileiros da área de Saúde. A Resolução 287/98 do Conselho Nacional de Saúde define as seguintes carreiras como profissões de saúde para fins de elaboração das Diretrizes Políticas da Gestão em Políticas de Saúde: Biologia; Biomedicina; Educação Física; Enfermagem; Farmácia; Fisioterapia; Fonoaudiologia; Medicina; Medicina Veterinária; Nutrição; Odontologia; Psicologia; Serviço Social e Terapia Ocupacional. A estes foram acrescidos os cursos de Administração Hospitalar e Administração de Sistemas e Serviços de Saúde, totalizando 16 profissões da saúde envolvidas com o VER-SUS/Brasil. Também é prevista a possibilidade de participação limitada de estudantes universitários de outros cursos e de outros países.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Creative Commons! Em defesa de uma Cultura Livre!

Economia Solidária: Por que outra Economia é Possivel!

Antes de falar de economia solidária, vamos começar falando do que é economia. Ela atualmente é a atividade que se ocupa da produção, distribuição, acumulo e consumo de riquezas.

Quando surgiu, a economia, significava a “arte de bem administrar uma casa ou estabelecimento”. Era conseqüência do trabalho e imaginação humana. Só que agora ela tem vida própria. E ainda, comanda a vida de muita gente, passou a valer mais do que o próprio trabalho.

A economia solidária vem mostrar que as coisas se inverteram. Ela retorna para as origens da economia, onde o verdadeiro valor vinha do trabalho, do saber da criatividade e da solidariedade.

Esta nova economia se faz com um novo jeito de ver as pessoas, as coisas e o mundo. Ele cria maneiras de incluir no trabalho e gerar renda para pessoas desempregadas ou excluídas do mercado de trabalho, ou para aqueles que desejam construir novas relações de produção baseadas nos valores de cooperação, partilha e reciprocidade.

Justamente por isso que ela se mostra um modo inteligente de organizar o consumo, a produção e o comercio. Ela busca construir o melhor para todos a partir de uma auto-gestão ética e sustentável. O respeito pelo indivíduo, com suas capacidades e experiências diferentes, possibilita a cooperação entra cada um e para o grupo todo.

Essa transformação toda começa na verdade quando cada indivíduo vira sujeito de sua própria vida, mudando assim os valores das pessoas e da comunidade. Mas não há receita pronta, se constrói essa economia nova a partir da realidade que já existe.

Agroecologia

O conceito de agroecologia quer sistematizar todos os esforços em produzir uma proposta de agricultura abrangente, que seja socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável; um modelo que seja o embrião de um novo jeito de relacionamento com a natureza, onde se protege a vida toda e toda a vida. Nesta visão se estabelece uma ética ecológica que implica no abandono de uma moral utilitarista e individualista e que postula a aceitação do princípio do destino universal dos bens da criação e a promoção da justiça e da solidariedade como valores indispensáveis.

Na agroecologia a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade, vários tipos de plantas, animais, microorganismos, minerais e infinitas formas de relação entre estes e outros habitantes do planeta Terra. Não podemos esquecer que a agroecologia engloba modernas ramificações e especializações, como: agricultura biodinâmica, agricultura ecológica, agricultura natural, agricultura orgânica, os sistemas agro-florestais, permacultura, etc.

Bom, mas apenas saber os vários conceitos do termo agroecologia, a partir de vários estudiosos, não significa que você está pronto para adotar as práticas agroecológicas. Fazer agroecologia é apenas uma fase posterior ao processo Sentir Agroecologia e Viver Agroecologia no coração, compreender a vida a partir de um organismo vivo, seja ele planta, animal ou próprio ser humano. Apreender as relações conjuntas e apreender que o planeta terra não é o lugar do qual vivemos, e sim, no qual vivemos.


SOFTWARE LIVRE E A UNIVERSIDADE LIVRE

O software Livre traz alguma vantagem para a Educação? Acrescenta a ela algum tipo de liberdade, alguma possibilidade de autonomia? Podemos abordar a questão por diversos aspectos. Tentarei tratar apenas os que me parecem mais urgentes e pertinentes para nós estudantes.

O que compramos na loja não é o programa em si, mas o direito de usá-lo. Por exemplo, quando compramos um CD de música, não compramos as músicas em si, mas adquirimos o direito de ouvi-las.
Já os "Softwares livres" podem ser utilizados, modificados, adaptados por qualquer um que tenha competência para tal, sem necessitar de autorização de quem quer que seja para fazê-lo. O programa não tem um dono que recebe direitos a cada vez que o programa é comercializado ou utilizado.

Qual a vantagem de utilizar Software-Livre?

Ao escolher utilizar programas proprietários, fica-se sempre na dependência de seu fabricante para cada novo recurso que se quer utilizar. Quem tem um scanner antigo (acessório que digitaliza imagens) ou uma câmera digital antiga talvez não consiga utilizá-la com as versões mais novas do Windows. Por outro lado, quem tem um computador com versão antiga do Windows não consegue usar direito os programas mais recentes. Não consegue porque os donos desses programas os desenvolvem apenas para as versões mais modernas do sistema operacional. E não podemos modificar o Windows que temos para que ele se adapte aos novos recursos que pretendermos usar. Não podemos fazê-lo porque ele é um programa proprietário, apenas a empresa que detém seu direito autoral detém acesso aos códigos de instruções dos programas para modificá-lo.

Usando "softwares livres" nas instituições de ensino públicas, quando um novo recurso é lançado, podem montar um grupo para adaptar o sistema e fazê-lo "aceitar" o novo recurso. Isso porque o código fonte é público, todos podem ter acesso a ele e, quem sabe programar na linguagem em que ele foi escrito pode modificá-lo.

É o que nossa Instituição de Ensino, a UFSM, deveria estar fazendo, desenvolvendo sua própria interface para o Linux e adaptando-o para que atenda suas demandas. Para, desde já possuir um sistema operacional que seja "leve", "enxuto" e personalizado, que possa dar sobrevida aos computadores com vários anos de uso e consequentemente "ultrapassados". Além de dar uma sobrevida bem mais longa aos computadores atuais que daqui a algum tempo (pouquíssimo tempo) com certeza precisariam ser atualizados caso continuem a utilizar um Sistema Operacional proprietário. Assim, os computadores que de outra forma seriam considerados obsoletos porque não conseguirem rodar a versão mais moderna do Windows, continuaria útil para a maior parte das necessidades da Instituição. E o recurso que seria investido em novos computadores pode ter outra destinação.

E tudo isso aconteceria criando tecnologia local. Quem desenvolveria os programas seriam os acadêmicos, professores e servidores da UFSM, que aprenderiam e criariam tecnologia própria. Em lugar de importar tecnologia, criaríamos tecnologia de qualidade em nossa própria instituição.

Isso é um exemplo claro de como o uso de tecnologia livre amplia a liberdade de escolha a autonomia tecnológica e o desenvolvimento de capacidades locais.

Sem isso, o fabricante de programas de computador determina quando um computador deve ser substituído: a data é resultado do lançamento de uma nova e mais "poderosa" versão do sistema operacional e não a falha ou inadequação do equipamento a seus fins. Com o uso de programas livres, os acadêmicos, professores e servidores da UFSM poderiam continuar a usar o equipamento para os fins aos quais ele ainda atende.

Quanto custa/custaria um computador para a UFSM?
Um computador, para funcionar, precisa ter programas instalados. Quando usamos programas proprietários, este custo costuma chegar ao dobro do preço do computador em si devido às licenças que devemos pagar para utilizá-los. Isso se usarmos apenas os programas mais comuns, sem incluir aí nenhum programa educativo especial.

Usando Software livre, tipicamente faz-se, num primeiro momento, investimento equivalente em vulto financeiro, mas não na compra de licenças de uso e sim em treinamento inicial e suporte. Ora, qual a diferença entre um e outro, que justifique o uso de programas livres?

O investimento em licenças, no caso dos programas proprietários, resolve um problema inicial aparentemente sem grandes esforços: compram-se as licenças, instalam-se os programas e vamos em frente.
Não é bem assim. Em qualquer caso será necessário, depois de instalar os programas, preparar as pessoas para usá-los. E uma preparação superficial e pouco cuidadosa resulta em usuários pouco críticos e com conhecimento superficial dos recursos, o que diminui as chances de serem criativos na sua exploração como instrumentos de apoio ao projeto pedagógico como também a uma subutilização do desses instrumentos.
O investimento pesado em formação dos os acadêmicos, professores e servidores da UFSM e suporte a esses, ao contrário, deve viabilizar a consolidação de um grupo de usuários com amplo domínio dos sistemas, capazes de criar novas soluções e dar suporte a seus pares. A criação e o desenvolvimento de novas possibilidades de uso da tecnologia passam a ser resultado do trabalho da própria comunidade Universitária.
O grande diferencial é que se cria e se instala cultura na comunidade. Investindo em formação em lugar de licenças de uso, ampliamos as possibilidades de trabalho para comunidade, em competência profissional e tecnológica e em autonomia no uso das tecnologias de informação e comunicação. Isto é liberdade: liberdade de criação, de uso, de escolha...

Criando uma nova cultura!

É comum, quando converso sobre as vantagens do software livre, a maioria me respondam: "mas meu computador já veio com os programas instalados e eu não paguei nada por isso!".
Das duas uma: ou o preço dos programas está embutido no preço do computador ou os programas são cópias ilegais.

No primeiro caso, o usuário está sendo flagrantemente enganado: acredita que ao comprar o computador ganhou de graça uma coleção de produtos que, na verdade, custou 2/3 do valor de sua compra.
No segundo caso, talvez mais grave, o usuário está contribuindo, sabendo-o ou não, para uma prática nada recomendável: está usando um produto a que não tem direito. .

A liberdade é construída e conquistada. Exige esforço e empenho. Na Universidade, este esforço é sua própria razão de ser: o esforço de criar competências que habilitem tanto os alunos, como, a comunidade a fazer escolhas e construir caminhos próprios.

O software livre em seus princípios busca oferecer a todos a possibilidade de acesso ao conhecimento, no caso programas de computador, e intervir no processo de construção desse conhecimento. Neste sentido, esta tecnologia está essencialmente vinculada a princípios democráticos de distribuição de conhecimento e da possibilidade de construí-lo para e por todos, e não apenas por razões estritamente comerciais.

Uma Universidade EDUCA deve ser uma Universidade que EDUCA com liberdade.